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A eminência do caos

Data da Noticia 10/03/2017
A tentativa de "reescravização" por meio da reforma previdenciária

Vivemos a eminência do caos. Em tramitação na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016 visa alteração nas normas da previdência social brasileira, ampliando o tempo de contribuição dos trabalhadores e extinguindo pensões acumulativas, entre outras medidas. Explico-lhes porque tal reforma, caso aprovada, significará o caos da economia nacional e a falência inevitável do INSS.

Primeiramente, convém desmentir a argumentação do déficit previdenciário, usada como justificativa para a proposta, dito pelo governo Temer em R$ 146 bilhões. Segundo auditoria fiscal da Receita Federal, há superávit, ou seja, sobras líquidas. Em 2015, por exemplo, as despesas previdenciárias somaram R$ 683 bilhões e as receitas R$ 694 bilhões, o que resulta em R$ 11 bilhões de sobra. Em 2014, segundo os mesmos auditores, o superávit foi de R$ 53 bilhões. Então, saiba que nossa previdência não está no vermelho; aliás, está em perfeita saúde financeira. Se não há recursos suficientes para equilibrá-la, é porque são desviados para outros fins.

Agora, suponhamos que a proposta seja aprovada e as novas regras entrem em vigor. Aí inicia o caos. No caso da agricultura, a idade mínima passaria a ser de 65 anos para homens e mulheres. Quem é ou já foi agricultor sabe que na faixa dos 50 anos o condicionamento físico decai e problemas de saúde se tornam mais frequentes, devido o constante esforço que a atividade exige. Após os 60 anos, os que ainda conseguirem trabalhar deixarão todo o ganho em farmácias e consultórios médicos (não esqueça que o governo também pretende congelar os gastos com saúde). Resumindo, quem não falecer antes receberá por pouco tempo um salário, que sequer terá reajuste, como recompensa por 50 anos de contribuição; depois irá a óbito em decorrência do esforço desumano. A mesma situação se aplica aos trabalhadores urbanos.

No tocante à economia, cinco anos sem novas aposentadorias e mais cinco com número reduzido trarão impactos inimagináveis para todos os setores, num efeito dominó devastador, sobretudo para os pequenos municípios. Com a reforma aprovada, a própria previdência entrará em colapso e, aí sim, será deficitária. Por quê? Porque boa parte da população optará por não contribuir, visto que tende a morrer trabalhando. Parece sarcástico, mas é real e eminente.

Precisamos compreender que nós, população trabalhadora, somos maioria esmagadora e temos o poder de impedir tal desastre; desde que não nos conformemos. Não estou aqui defendendo ou denegrindo qualquer grupo político (nenhum me representa). Falo como cidadão brasileiro, indignado por presenciar a tentativa de "reescravização" de nossa gente.

*Os argumentos aqui expostos são de responsabilidade exclusiva do autor e não necessariamente condizem com a posição da emissora e da associação que a gerencia.

 

Gerson Dickel, nascido em 21/01/1997, em Viadutos, é locutor, repórter, redator e colunista da rádio Comunidade FM. Cursa graduação em Letras – Português e Espanhol pela FAEL (Faculdade Educacional da Lapa).

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  • Autor: Gerson Dickel
  • Imagens: Comunidade FM


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