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Críticas ao discurso televisivo nas letras da banda nacional preferida de Renato Russo

Data da Noticia 25/04/2017

Plebe Rude é uma das bandas mais significativas dos anos 1980. Uma das bandas que deu o ponta pé inicial do rock de Brasília, junto com Capital Inicial e Legião Urbana, sendo a banda nacional preferida de Renato Russo, vocalista da cultuada Legião Urbana. Eles iniciam em 1981, lançando até agora 6 discos de estúdio e 2 ao vivo, inspirados no movimento punk e pós punk. Em 2014, a banda formada então por Philippe Seabra (vocal e guitarras), Clemente Nascimento (vocal e guitarras), André X (contrabaixo), e um baterista sempre convidado, lança o disco denominado Nação Daltônica. A música a ser analisada aqui é deste disco, e chama-se Anos de Luta:

 

Quantas decisões que tomam por você

 

E as opções que te deixam eleger

 

Seus horizontes esbarram na TV

 

Por que só é...

 

Demagogia, vem da capital

 

E o vazio distinto do canal

 

Goela abaixo, pois sabem que não faz mal

 

Por que só é

 

Entretenimento no final

 

 

A letra faz menção ao seu cotidiano, às suas decisões diárias e até sua visão política, o autor afirma que seu cotidiano possui uma barreira chamada televisão, que te enche de informações muitas vezes não produtivas, e que lapidam sua cultura no intuito de que tudo o que você consuma seja moldado de maneira a parecer bom, é isso é confirmado imperceptivelmente, pois tudo que se vê na televisão basicamente é entretenimento.

 

Ninguém aqui nasceu ontem

 

E nem vai morrer amanhã

 

Mas se você não vê a diferença

 

É daltônico como o resto da nação

 

Um daltônico é uma pessoa que é incapaz de diferenciar visualmente algumas cores. O autor aqui escreve que você se torna daltônico quando não vê a diferença entre as informações verdadeiras que recebe, e as informações falsas.

 

Por onde vocês estiveram nesses anos de luta?

 

Pode sair, por que é só entretenimento no final

 

A música foi composta em 2014, e traz elementos das manifestações de 2013. O autor questiona onde estes manifestantes que saíram as ruas em 2013, estavam quando era preciso lutar pelo fim da ditadura militar, e a maioria não o fez, porém estavam manifestando pelo aumento dos impostos da gasolina e transporte, e deram início ao movimento do impeachment da presidenta Dilma. Então o autor, Philippe Seabra opina sobre o fato, dizendo que este movimento de 2013 tornou-se mera distração, um “entretenimento no final”.

 

É pedir demais, me diga

 

Coerência da própria geração?

 

Mas se você não vê a diferença

 

É daltônico com o resto da nação

 

Outra opinião política, o autor chama atenção pelo ocorrido em 2013, pede coerência da geração que saiu as ruas e que deveria ter feito o mesmo nos anos 80, mas não fez, e diz que se o povo não vê a diferença, é daltônico, e não percebe que os dois fatos tinham um objetivo diferente, um tinha o intuito de libertar o Brasil da crueldade militar que estava no poder, e o outro, infelizmente queria o contrário.

 

Os anos de luta

 

Será que foram em vão?

 

Entretenimento no final

 

O desperdício de toda a geração

 

Entretenimento no final

 

Renato Russo em parque de exposição

 

Entretenimento no final

 

Phelippe Sehabra, que viveu o período da redemocratização do Brasil, já foi preso no período ditatorial, inclusive sendo preso no primeiro show da banda Legião Urbana, onde a banda tocou Música Urbana e a Plebe Rude tocou a música Voto em Branco, ambas as bandas foram presas por desobediência ao país, demonstra seu descontentamento com o cenário atual brasileiro, o mesmo se pergunta se todos os anos de luta deste período foram em vão, pois até as próprias músicas da época, como as músicas do Renato Russo hoje são ouvidas simplesmente para divertir, para entreter.

 

Mãos pra cima!

 

Mãos pra cima demonstra a mudança de sentido de uma frase. No período ditatorial brasileiro, era comum as pessoas sofrerem represálias por parte dos militares que gritavam para as mesmas porem as mãos pra cima ao serem revistadas. Hoje, mãos pra cima é uma frase dita para comemorar, como a próprias música demonstra. No final, quando a banda canta mãos pra cima, existe ao fundo, o público eufórico gritando e festejando a frase, como se estivesse com as mãos pra cima. Tornando a frase, simples entretenimento.

 

Em breves palavras, a ideia de Philippe Seabra é questionar a falta de luta no período ditatorial do Brasil, e informar que a participação do povo nas manifestações pró impeachment, é um fato construído pelas notícias enfiadas goela abaixo do povo brasileiro pela televisão.

 

 

Todo o conteúdo desta coluna é de total responsabilidade de seu autor(a)/publicador(a)!
  • Autor: João Dalbosco
  • Imagens: Internet


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