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Português produz primeiro azeite de oliva 100% paranaense e garante: “É o melhor do mundo”

Data da Noticia 08/03/2018

Idálio Cruz Inácio começa a extrair azeite extravirgem de 30 mil pés de oliveiras cultivadas no Paraná para ‘matar as saudades’ da terrinha; “é o melhor do mundo”, diz ele, por ser puro e envasado até 12 horas após a colheita.

Nas encostas da paisagem acidentada da região centro-oriental do Paraná, as oliveiras cultivadas em linha forçam desenhos geométricos num mosaico irregular de pomares, campos de soja e maciços de floresta plantada.

Comuns na paisagem mediterrânea, as pequenas árvores com folículos verde-acinzentados se adaptaram muito bem ao clima, solo e topografia da região. “A noite aqui é fresca. E as oliveiras precisam de 200 a 300 horas de frio por ano, abaixo de 12 graus, para produzir bem”, revela Idálio Cruz Inácio, o fazendeiro português dono do primeiro e maior olival do Paraná, que já conta com 30 mil pés a caminho da produção plena.

“Em Portugal, escolhia-se o pior lugar possível para plantar as oliveiras. Aqui no Brasil, entendi que é preciso cuidar, que a árvore não gosta de muita água e que responde bem à aplicação de calcário e fertilizantes”, afirma o irrequieto lusitano, nascido há 84 anos no vilarejo de Poltena, conselho de Anadia, próximo de Coimbra.

Idálio Cruz Inácio faz história. Dificilmente alguém contesta que ele seja o primeiro a produzir azeite de oliva extra virgem 100% paranaense. “Um dia estava a pensar. Se a oliveira vai bem na divisa de Minas Gerais e São Paulo, se vai bem em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, por que não iria bem no Paraná, que fica no meio disso tudo?”. Dos 86 hectares cultivados com oliveiras hoje no Paraná, 53 estão na Fazenda Reunidas Luso, uma megapropriedade (para os padrões paranaenses) de 3.300 hectares no município de Ventania.

Curiosamente, os experimentos da EMATER e da Embrapa com variedades de azeitona no estado – que começaram bem depois, em 2001 - vêm chegando à mesma conclusão, segundo Cirino Correia Júnior, coordenador de plantas potenciais da EMATER. “Hoje dá para dizer que as variedades Koroneiki, Arbequina, Frontoio, Mansanilla e Arbosana foram as que melhor se adaptaram. Mas, para mim, a Arbequina e a Koroneiki ainda são as melhores”, diz Cirino.

Na atual safra, que acaba de ser colhida, a Fazenda Luso vai produzir e envasar 3 mil litros de azeite de oliva. O negócio ainda não dá lucro. “É um problema de cultura do brasileiro. Se ele não entender o que é um azeite extra virgem, sempre vai comprar o mais barato”, lamenta-se o português.

Melhor do Mundo

“Ir atrás de marcas extravagantes, envasadas de qualquer jeito e por quem não é produtor, é correr um grande risco. Por isso que eu digo, sem dúvida nenhuma, que o azeite que produzimos no Paraná pode ser considerado o melhor do mundo, por que é puro e fresco, envasado em até 12 horas depois da colheita”, orgulha-se Idálio.

O azeite 100% paranaense da marca “Duidálio” ainda não estreou nas grandes redes de supermercados. Por enquanto, a venda é feita diretamente para amigos e gente que busca qualidade. O lusitano investiu mais de um milhão de reais no lagar da propriedade. Em quatro anos, o olival estará produzindo o suficiente para render 40 mil litros de azeite extravirgem a cada safra. Será quase 70% de toda a produção brasileira em 2017 (estimada em 60 mil litros).

A produção brasileira de azeite de oliva ainda engatinha. A Associação Nacional dos Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliva calcula que menos de 1% dos 80 milhões de litros que os brasileiros consomem anualmente é produzido aqui. “É difícil encontrar azeites nacionais. Em São Paulo é dificílimo”, diz Rita Bassi, presidente da associação.

Por enquanto, o escoamento da produção nacional acontece por empórios e lojas de fábrica e apenas ‘belisca’ um mercado que movimenta quase R$ 1 bilhão por ano no País. De olho numa pequena fração desse negócio, outro produtor paranaense, Jonathan Harder, de 27 anos, da colônia Witmarsum, também investe nas oliveiras.

O olival de apenas 3,5 hectares no município de Palmeira ainda é novo, começou em 2013, mas já produz as primeiras azeitonas, prensadas artesanalmente para retirar o produto extra-virgem. “Fiz uma pesquisa para aumentar a renda através da diversificação. Estudei a opção de uva, laranja e maçã, mas decidi pela azeitona após fazer contato com produtores no Rio Grande do Sul”, diz Harder.

“O que falta é os produtores se conversarem mais. Cada um faz um trabalho diferente, em relação à poda das árvores, tipo de solo, clima e variedades. No Rio Grande do Sul e em Minas Gerais os produtores são melhor organizados”, avalia o jovem agricultor.

Não seja por isso. A reportagem passou para o ‘alemão’ Harder os contatos do ‘português’ Idálio, que, por sua vez, já havia afirmado que serão bem-vindos todos os que tenham interesse nas oliveiras. Quem sabe essas conversas podem render frutos e acelerar a produção de azeite de oliva extra-virgem no Paraná. “Não entrei nesse negócio por vaidade”, diz Idálio. “Para mim é um prazer mexer com as azeitonas, por que eu volto à minha infância, quando ajudava meu avô. Eu olho para as oliveiras e me lembro de Portugal”.

Fonte: Gazeta do Povo, Marcos Tosi.

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  • Autor: Informativo-Fao-Brasil
  • Imagens: Informativo-Fao-Brasil


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