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CASO BASEGIO: (A sensação é de alívio, faria tudo novamente)Neuromar Gatto

Data da Noticia 09/06/2015
Entrevista – Neuromar Gatto

O ex-chefe de gabinete do deputado Diógenes Basegio, Neuromar Gatto, afirmou em entrevista ao ON ontem à tarde, que vinha reunindo provas contra o parlamentar desde setembro de 2011. Segundo ele, o deputado chegava a receber entre R$ 30 a R$ 35 mil mensais como parte dos salários de seus assessores. “Só eu repassava cerca de R$ 4 mil de um total de R$ 9 mil”, alega. No dia seguinte após ter mostrado o rosto em rede nacional, Gatto disse não estar arrependido e que a sensação é de alívio. “Faria tudo novamente”. Confira a entrevista. 

ON - O que motivou o senhor a fazer a denúncia?  Neuromar Gatto – Quando ele assumiu a cadeira na Assembleia existia um projeto de mandato que a gente tinha conversado. Fortalecer e dar suporte ao partido e à questão social, principalmente com aberturas de casas de apoio. No primeiro ano do mandato abrimos uma em Passo Fundo. O projeto era abrir mais duas, mas nos primeiros seis meses deturpou tudo. Começou a reclamar dos gastos. Falei para abrir em Santa Maria ou Porto Alegre, ele disse que não abriria mais nada. Começou a ir só para o bolso dele. Eu conheço ele da época em que era vereador, já existia uma questão semelhante de repasse de dinheiro. Isto vai surgir no momento oportuno.  ON - Em razão disto o senhor começou a reunir as provas contra o deputado. Quando fez a denúncia?  Neuroma Gatto - Comecei a reunir o material em 2011 e a fazer as imagens. Tem mais coisa para aparecer. A primeira denúncia foi feita em julho do ano passado para o Ministério Público. O MP tem uma sistemática diferente para abrir a investigação por ele ser deputado. O inquérito foi aberto em janeiro deste ano, quando fui prestar depoimento confirmando as informações e entregando todas as provas. Em fevereiro voltei a Porto Alegre, onde gravei novo vídeo e áudio. O MP abriu o processo.  ON - Como era feita a arrecadação dos valores?  Neuromar Gatto – Os valores eram depositados no último dia do mês sempre. Eles sacavam e entregavam a mim, e eu ao deputado. Em setembro de 2013, a arrecadação já não era mais feita por mim. O pessoal começou a entregar o dinheiro para a funcionária que aparece nas imagens. Na minha época ela repassava do salário dela R$ 6.750 de um FG líquido de aproximadamente R$ 9 mil.  ON - O senhor permaneceu ligado ao deputado até 2014?  Neuromar Gato – Em novembro 2013 tivemos uma discussão muito forte. Eu vim para Passo Fundo. Em janeiro de 2014 fiz mais duas gravações. Em abril, pedi para sair, mas na Assembleia consta que ele me exonerou.  ON - E a participação do deputado na adulteração do odômetro do veículo?  Neuromar Gatto - Eu só te respondo isto com uma pergunta. Na conta de quem entrava a indenização veicular. Na minha ou na dele? Porque estou recebendo a indenização cheia se eu não viajei? ON - E quanto era obtido com a indenização veicular?  Neuromar Gatto – Era obtido R$ 24 mil a cada quadrimestre. A vistoria do veículo é feita a cada quatro meses também. O funcionário da Assembleia vai lá e olha o odômetro para conferir a quilometragem fornecida. Por isso era adulterado, para pegar o valor integral. Tem mais o combustível, na época era de R$ 2,5 mil por mês, mais o salário dele integral.  ON - Quantas vezes o senhor levou o carro na oficina para fazer a adulteração?  Neuromar Gatto - Umas seis ou sete vezes. ON - Segundo o mecânico da oficina declarou no vídeo era uma prática de outros deputados?  Neuromar Gatto – Eu posso falar o que ocorria dentro do gabinete do deputado Basegio. Isto afirmo e tenho provas. Não posso falar nada sobre os outros deputados. Agora, quando chegamos lá, a indicação desta oficina foi feita pelo assessor de outro deputado. A conversa de corredor é de que esta prática é institucionalizada dentro da Assembleia. Não posso afirmar se outros deputados faziam ou não.

ON - E sobre a funcionária fantasma, o que o senhor tem a dizer?  Neuromar Gatto - Ela foi nomeada no lugar do marido e continuou a vida dela normal em Passo Fundo. Recebia cerca de R$ 600, o restante ficava com o deputado. Ela nunca foi na Assembleia.

ON - O deputado disse em entrevista coletiva ontem, que o senhor teria pedido a ele cerca de R$ 1 milhão para não fazer a denuncia?  Neuromar Gatto – Jamais. ON - Ao entregar a denúncia você faz uma auto-confissão sobre sua participação no esquema?  Neuromar Gatto – Sim, tenho consciência disto. Se eu tiver que pagar alguma coisa, vou pagar, não financeiramente, porque eu não tenho dinheiro. A única coisa que me restou na vida foi uma dívida no banco de R$ 30 mil. Hoje estou vivendo com aposentadoria da minha esposa e ajuda dos meus irmãos para pagar esta dívida.  ON - O senhor se arrepende do que fez?  Neuromar Gatto - Sinceramente não. Faria tudo novamente, as gravações, juntaria todas as provas e entregaria novamente. Estou me sentindo aliviado. Recebo mensagens de apoio e de repúdio. Ninguém viveu minha vida durante três anos e meio. Não sabem o que eu passei. Eu quase destruí minha família por isso.



Todas imagens
  • Autor: O nacional
  • Imagens: Gerson Lopes/ON

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