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Do radiotelégrafo à rádio online

Data da Noticia 13/02/2019
O rádio é o terceiro de meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros, atrás da televisão e da internet

Que o rádio reúne os mais diversos tipos de públicos, não há como negar. Pensando nisso, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) criou, oficialmente, em 13 de fevereiro de 2011, o Dia Mundial do Rádio, que celebra a existência do mais democrático meio de comunicação e marca também a primeira transmissão simultânea para um grupo de seis países, em 1946, pela United Nations Radio (a Rádio das Nações Unidas). A data tem como objetivo conscientizar os grandes grupos radiofônicos e as rádios comunitárias sobre a importância do acesso à informação e a liberdade de expressão na comunicação.

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Comunicadores Rafael Ferri e Raquel Carneiro  comandam a programação diária da rádio Themis  Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia de 2016, o rádio é o terceiro de meio de comunicação mais utilizado pela população (7%), perdendo apenas para a TV (63%) e internet (26%). Segundo o levantamento, a principal razão para a escolha do meio é a busca por informações do dia a dia. No caso do rádio, o estudo registrou que as FMs são as emissoras preferidas pelos brasileiros (79%), no entanto, há de se considerar que as diferenças regionais e sociais também influenciam nas decisões dos ouvintes. E não para por aí: nos últimos anos, o rádio também ganhou espaço em outras plataformas, como em sites e aplicativos (2%).

Lançada em outubro de 2012, a Rádio Themis opera 24h por dia, levando muita informação aos ouvintes do Judiciário gaúcho. Com comunicadores nos turnos da manhã e tarde, das 9h às 18h, o que não falta é interação entre os radialistas e o público das mais diversas comarcas.

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Primórdios do rádio datam de 1896, na Itália. No Brasil, a radiodifusão teve início em 1922 Foto: Bruna Faraco

De acordo com o Jornalista Rafael Ferri, a rotina diária é simples e se divide em duas etapas: a de jornalista e a de radialista. “Trabalhamos com uma média de 12 notícias factuais por dia, além das decisões que saem no site do TJ. Na parte jornalística, elaboramos toda a produção e a edição do que vai para o ar”, diz. “Já na parte de radialista, nós trabalhamos com a locução dessas notícias e o atendimento ao público”, completa.

Há dois anos na Rádio Themis, a Jornalista Raquel Carneiro diz que, para ela, a interação com o público é o que mais chama a sua atenção, se comparado ao trabalho desenvolvido em rádios mais tradicionais. “Temos ouvintes heterogêneos, de diversas Comarcas, e o retorno deles é o que faz toda a diferença no nosso trabalho”.

Raquel acredita que, mais do que as novas tecnologias, o comportamento humano também influencia nas novas formas de ouvir rádio. “Vivemos uma vida mais acelerada, individualizada. As novas tecnologias facilitam o trabalho e nos dão a possibilidade de escolher outras formas de ouvir o rádio, seja online, pelo site, pelo app ou pela maneira tradicional”.

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Rádio Themis leva informação e interação  para ouvintes do Judiciário gaúcho Foto: Bruna Faraco

Na avaliação de Paulo Gilvane Amaral Borges, Diretor-Geral da Agência Radioweb, prestadora de serviços ao TJRS, o rádio foi o veículo de comunicação que mais se adaptou às novas tecnologias. “No início, havia um temor de que as rádios online pudessem tirar a audiência das transmissões tradicionais. No entanto, percebeu-se que as rádios AM e FM também poderiam se utilizar da internet e ter mais ouvintes através dessa ferramenta”, destaca.

Com o crescimento das redes sociais, as emissoras também passaram a comunicar com o público também através do Twitter, Facebook e Instagram.“Os locutores, apresentadores e Jornalistas ganharam rostos para os ouvintes, pois algumas emissoras passam a transmitir lives a partir dos seus estúdios”.

As novas tecnologias, de acordo com Borges, vieram para revolucionar e mudar o perfil da programação de diversas emissoras de rádio. “Com os serviços de streaming de música (Spotify, entre outros), a música passou a agregar menos à programação das emissoras. O ouvinte/usuário não prescinde mais da rádio para ouvir música. Ele pode fazer o seu playlist num serviço de streaming e não precisa mais da rádio para isso” diz.

“Este fenômeno ainda é novo, mas já há uma reação das rádios com maior estrutura, que passaram a ter mais programação ‘falada’ e menos musical. É o início de uma tendência mais ‘talk rádio’, com debates, entrevistas, bate-papo, entretenimento. Ou seja, a tendência e cada vez mais conteúdo e cada vez menos música. Em que proporção isso se dará e em que tempo, ainda é uma incógnita. Mas uma coisa é certa, as novas gerações não têm o rádio como referência para ouvir música”, acrescenta.

Histórico

Em 1896, o italiano Guglielmo Marconi criou o primeiro aparelho de rádio do mundo, revolucionando a comunicação a distância. A partir de pesquisas sobre indução eletromagnética e ondas eletromagnéticas, o físico e inventor reuniu diversos equipamentos para transmissão e recepção de sinais. O objetivo inicial de Marconi era de substituir o telégrafo elétrico por um que não dependesse de fios para que as mensagens chegassem aos seus destinos.

Com a rápida difusão do aparelho, frotas marítimas também o adotaram. O equipamento chegou a salvar cerca de 1,5 mil pessoas de um naufrágio, quando foi possível enviar pedidos de socorro através do radiotelegrafo.

Por ser um equipamento de fácil construção, o rádio difundiu-se entre radioamadores pelo mundo. As primeiras emissoras começaram a surgir após a Primeira Guerra Mundial. A repercussão pública desse meio de comunicação acabou servindo como parâmetro para outras emissoras. Em 1922, já se somavam mais de 300 emissoras de rádio mundo afora.

A invenção do rádio está devidamente creditada a Marconi, no entanto, anos antes dele, um padre brasileiro havia feito a primeira transmissão de voz humana por meio das ondas radiofônicas. Apesar de Roberto Landell de Moura ter transmitido um comunicado por vários quilômetros de distância, na cidade de São Paulo, em 1894, sua invenção foi vista, à época, com desconfiança, fazendo com que o experimento não tivesse a visibilidade merecida. Após muitos anos, Landell de Moura conseguiu patentear sua invenção no Brasil e nos Estados Unidos.   

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Para o Jornalista Paulo Gilvane, as novas tecnologias  vieram para mudar o perfil da programação: “O ouvinte não prescinde mais da rádio para ouvir música. Ele pode fazer o seu playlist num serviço de streaming” Foto: Arquivo pessoal

Início no Brasil

Foi em 1922 que a radiodifusão sonora foi apresentada oficialmente aos brasileiros. O primeiro contato com uma estação transmissora de rádio aconteceu no Rio de Janeiro. Na época, a então capital da República festejava o Centenário da Independência do Brasil. Com o auxílio de uma empresa norte-americana, foi montada uma estação completa na Praia Vermelha, tendo o transmissor sido instalado no alto do Corcovado. Através desta estrutura, a primeira transmissão brasileira, em caráter experimental, pôde ser ouvida. O discurso do Presidente da República, Epitácio da Silva Pessoa, chegou ao grande público a partir de um sistema de auto-falantes e através de aparelhos receptores de rádio.

O mesmo discurso pôde ser ouvido também em São Paulo, Petrópolis e Niterói, graças à instalação de uma potente “estação transmissora”, colocada estrategicamente no alto do Corcovado. Com o sucesso da transmissão, os equipamentos foram utilizados, posteriormente, pelos Correios, com o objetivo de transmitir boletins sobre clima e demais informações, bem como os preços do açúcar e do café.

Um ano mais tarde, compreendendo a importância do equipamento criou-se então, em 20 de abril de 1923, a primeira estação de rádio do país, a Sociedade Rádio do Rio de Janeiro. Foi a partir daí que o rádio começou a se expandir por todo o Brasil, passando a transmitir além de informações, músicas.

Em 1932, Getúlio Vargas autorizou, através de um decreto, a comercialização de espaços publicitários pelas emissoras, passando a utilizar o rádio para veicular suas ideias. Com a receita advinda da publicidade, as emissoras passaram a investir não só em equipamentos, mas também em profissionais. A radiodifusão se tornou uma grande influência em todos os campos, sendo a detentora de um poder decisivo nos setores econômico, político, social, cultural, educativo e, até mesmo, religioso.

Por Gabriela Porto Alegre  Estagiária



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  • Autor: Imprensa/TJRS-Rádio Themis
  • Imagens: Bruna Faraco/ Montagem: Paulo Guilherme

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