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Duca Leindecker e Humberto Gessinger escrevem sobre fazer sucesso

Data da Noticia 22/09/2016

Cidadão Quem foi uma banda porto alegrense que surgiu em meados dos anos 90, e teve como integrantes iniciais o Cau Hafner (Bateria) e os irmão Luciano (baixo) e Duca Leindecker (Voz e guitarra). O fim da banda foi anunciado em 2014, com a morte do baixista Luciano Leindecker.

O vocalista e letrista da banda, Eduardo Tavares Leindecker, decidiu ser músico aos 11 anos, após a perda do pai começou a estudar música por 14 horas diárias. Tocou incialmente na banda gaúcha Bandalheira, junto com Alemão Ronaldo, e foi convidado pessoalmente por Bob Dylan para abrir seus shows no Brasil durante sua turnê dos anos 90. Já escreveu três livros, dois curta-metragens e participou do duo Pouca Vogal com Humberto Gessinger entre 2008 e 2012.

Em 2007 a banda lança seu sétimo trabalho, com o nome de “7”. Neste álbum encontramos a música “A Força do Silêncio”, parceria entre Duca Leindecker e Humberto Gessinger. A canção ainda parece no CD/DVD do projeto Pouca Vogal, composto por Humberto e Duca. Em seguida conferimos com detalhes o sentido da música:

 

Pra que tanta inteligência?  

Pra que tanta emoção?  

Qualquer coisa em excesso faz sucesso meu irmão

Se qualquer coisa em excesso faz sucesso, porque utilizar nossa inteligência, nossas emoções? A música começa questionando a sociedade que por vezes esquece de certos preceitos e abandona coisas simples como a capacidade de pensar e interagir com o próximo de maneira mais humana e menos programada. E ainda diz que tudo que for praticado em excesso pode fazer sucesso, independente se for bom ou ruim.

Quanta gente com certeza  

Tanta gente sem noção

Humberto Gessinger diz em “Infinita Highway”, que é inútil ter certeza, e aqui, em parceria com Duca Leindecker relaciona a falta de noção com as certezas que temos. Certeza é a convicção de ser verdadeiro algo que já foi provado. E a inutilidade da certeza, que muitas vezes cega os olhos de quem a carrega, faz com que essa pessoa perca a noção das coisas que a cercam. A ideia destes dois versos é demonstrar que a pessoa que tem certeza de algo, não tem noção da realidade que a permeia.

Em excesso até o fracasso faz sucesso por aí

Fracasso significa algo que não atingiu seu objetivo pretendido. Contextualizando com as outras frases, podemos dizer que o fracasso faz sucesso pois a inteligência foi deixada de lado, dando lugar às certezas pré-estabelecidas. Qualquer coisa em excesso faz sucesso, até mesmo o fracasso.

E eu tenho fé na força do silêncio

Pode se condicionar o sucesso ao barulho, aos assuntos cotidianos das pessoas, política, movimento musical... então esta letra nos faz crer na força que o silêncio possui, acreditar no que não está dito, pois se o que faz sucesso, o que é comentado é o fracasso, talvez a solução deste fracasso esteja dentro do silêncio.

Se as cores vão berrando no sol ensurdecedor  

Fecho os olhos… Outro mundo  

Vou morar no interior  

Transbordou a mesa ao lado  

Um tsunami arrasador  

Fecho os olhos… Outro mundo  

Vou morar no interior  

E eu tenho fé na força do silêncio

O assunto agora é a poluição visual, as cores dos encartes, dos anúncios, que durante o dia ficam a mostra poluindo a visão de quem passa pelo local. Andando por ruas de grandes cidades isto é mais perceptível, pois as quantidades de anúncios presentes nas mesmas fazem com que fique difícil de separar um do outro para ler.

Por isto a ideia de morar no interior, de fechar os olhos para a poluição visual e concentrar-se em questões realmente importantes, que muitas vezes se encontram no íntimo de cada um, em seu próprio interior.

 

A fé que me faz  

Aceitar o tempo  

Muito além dos jornais  

E assim mergulhar no escuro  

Pular o muro  

Pra onda passar

O refrão fala de aceitar o tempo, aceitar as circunstâncias olhando além da mídia, além dos meios que falam deste “sucesso” que é mencionado no início da canção. Encontramos o sentimento de esperança ainda nesta parte, pois os autores conduzem a canção para que a mesma converse com o ouvinte na intenção de incentivar o mesmo a olhar além das imposições da sociedade, e seguir seu objetivo, mesmo que no “escuro”. A letra incita que podemos pular o muro da nossa sociedade e esperar a onda de fracassos que muitas vezes não conseguimos perceber, passar.

Vi um punk na farmácia atrás de protetor solar  

Baile funk no plenário  

Ambulância quer passar

Todas as próximas frases possuem sentido figurado, que vão além do seu real significado. Podemos encontrar uma severa crítica ao sistema político atual, quando se percebe que o sentido dos versos “baile funk no plenário/ambulância quer passar”, na realidade é expressar o descontentamento com o plenário central, onde para os autores, a confusão e diversão é tamanha, que chega a ser comparada a um baile funk, com muita música/barulho e pessoas somente divertindo-se. Em meio a isso uma ambulância tenta passar.

Já a figura da ambulância remete a salvação, prestação de socorro, ou seja, durante o baile funk, alguém pensa em auxiliar o país, porém não consegue passar pois é barrado na “festa”. Basicamente, Duca e Humberto tentam demonstrar o jogo político existente nas próprias instituições políticas, onde muitas vezes projetos importantes não são aprovados por intrigas de partidos de oposição.

Futebol, mesa-redonda, exorcista, camelô  

É também importante destacar as críticas a sistemas religiosos, que vendem salvação como em camelôs, onde tudo fica amontoado em pequenas barracas, e o vendedor praticamente lhe obriga a comprar aquele produto.

A onda agora é outra onda  

Um tsunami arrasador  

E eu tenho fé na força do silêncio

Mudanças de comportamento, novas tecnologias, novas músicas, a moda que se modifica, novas tendências, e também a obsolescência programada. Tudo isso faz parte de novas ondas de consumo, e elas mudam tão rápido que causam estragos que segundo os autores, são comparados aos de um tsumani (ondas gigantescas oriundas do mar, a qual adentram a terra e causam estragos catastróficos). Mas mesmo assim, é preciso ouvir o que não é dito, o que “está no silêncio”.

A fé que me faz  

Aceitar o tempo  

Muito além dos jornais  

E assim mergulhar no escuro  

Pular o muro  

Pra onda passar

 

A música traz grandes críticas que precisam de uma certa interpretação para serem descobertas. É mais uma música que se torna muito interessante a partir do momento em que se compreende seu real significado.Parte inferior do formulário

 

João Dalbosco. 23 anos, estudante de história, músico e amante da literatura.



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  • Autor: João Dalbosco
  • Imagens: Internet

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