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Luvas biônicas criadas por fã ressuscitam mãos do maestro João Carlos Martins

Data da Noticia 25/01/2020
 Ícone da música clássica mundial voltou a tocar de uma hora para outra graças a uma luva adaptadora que lhe devolveu os movimentos dos dedos (menos o médio da mão direita). 

Após um ano, os moradores do Edifício Caraguatatuba, nos Jardins (SP), onde João Carlos Martins mora há mais de 40 anos, voltaram a ouvir o som do piano no apartamento do último andar. Ícone da música clássica mundial, ele voltou a tocar de uma hora para outra graças a uma luva adaptadora que lhe devolveu os movimentos dos dedos (menos o médio da mão direita). 

“Eu não sei te explicar, mas essa engrenagem fez com que, ao dedilhar o piano, meus dedos fossem e voltassem à posição normal. Antes, minhas mãos ficavam sempre fechadas”, disse o pianista em entrevista à Folha. 

Desde que se envolveu em um acidente – caiu sobre uma pedra jogando bola no Central Park, em Nova York -, em 2018, Martins passou por 24 cirurgias. Elas ajudaram a aliviar a dor, mas não recuperaram o movimento completo de suas mãos.  

Ele chegou a conseguir tocar somente com os polegares e fez uma apresentação de despedida no ‘Fantástico’, da TV Globo. Depois foi trabalhar como maestro, atuando com as funções motoras que ainda tinha. Até que, pouco antes desse Natal, ao final de um concerto em Sumaré, no interior de São Paulo, depois de muito esperar na calçada, um desconhecido conseguiu entrar no camarim para lhe entregar um estranho par de luvas pretas. 

“Ele deve ter pensado que eu era maluco”, lembra o designer industrial Ubiratã Bizarro Costa, 55, à Folha. Foi exatamente o que Martins pensou, já acostumado com as figuras que lhe aparecem nos camarins prometendo curas milagrosas.

O artesão anônimo tinha feito o primeiro protótipo baseado apenas em fotos e vídeos das mãos do pianista projetadas em 3D. Na semana passada, Martins foi à casa de Bira para experimentar e ajustar um novo protótipo. Com hastes de aço sobre os dedos, que funcionam como molas, presas a uma placa de fibra de carbono, as luvas mecânicas cobertas com neoprene custaram a Bira R$ 500 com a compra de material. 

Cinco protótipos depois, Martins não tira mais as luvas nem para dormir. Bira se especializou em design para produtos automotivos, mas nos últimos quatro anos começou a fazer protótipos de adaptadores para pessoas com deficiência. Ao ver Martins na TV, ele começou a pensar numa solução para o maestro.

Bira ainda não ouviu Martins tocar depois de toda essa evolução, mas estará como convidado especial na plateia dos três concertos marcados para o dia 25, aniversário de São Paulo, quando o maestro estreia suas luvas e nova vida das talentosas mãos. 

A maratona começa às 10h no Theatro Municipal, com a Orquestra Bachiana Filarmônica Sesi-SP. Depois, vai para a av. Paulista, em frente à Fiesp, às 14h. E termina às 16h, nas escadarias do teatro, com a Orquestra Sinfônica Municipal, que só apresentará obras de Villa-Lobos na abertura das comemorações da Semana de Arte Moderna de 1922.

Ainda bem que o pianista acreditou na fala de seu pai, José da Silva Martins, que era representante comercial: “O impossível só existe no dicionário dos tolos”. 



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  • Autor: Redação Hypeness
  • Imagens: Divulgação/Hypeness

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