Plantas bioativas resgatam saberes do campo na Expointer 2026
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Símbolo do Rio Grande do Sul, a macela (Achyrocline satureioides) faz parte da tradição cultural do Estado e está entre as plantas medicinais, aromáticas e condimentares apresentadas na 49ª edição da Expointer. A feira segue até 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. A planta apresenta diferentes possibilidades de cultivo, manejo e utilização, relacionando conhecimentos tradicionais a alimentação, saúde, produção e valorização da biodiversidade. Segundo a extensionista rural Maristela Ebert, a escolha da macela como tema busca aproximar o público dos diferentes significados associados à espécie. “Para além do uso tradicional na medicina, a macela tem um sentido simbólico. Então, estamos conectando essa discussão ao resgate das plantas nativas e ao seu valor medicinal, estético e cultural”, explica. A proposta ganha relevância também pelo trabalho de resgate da espécie desenvolvido após as enchentes de 2024, que provocaram perdas e afetaram a disponibilidade da planta na região. A iniciativa passou a envolver a multiplicação e o plantio de novas mudas, além da valorização dos conhecimentos tradicionais e de possibilidades de geração de renda relacionadas ao turismo rural. Na Expointer, o público pode saber mais sobre plantio, colheita e armazenamento da macela, além de aspectos ligados à culinária e aos usos artesanais, como os tingimentos naturais. Além da macela, estão sendo apresentados diferentes ambientes destinados às plantas bioativas. O espiral de plantas medicinais, aromáticas e condimentares demonstra como a disposição das espécies pode considerar suas necessidades de luz e facilitar o acesso às mudas para uso próximo às residências. O espaço também aborda a utilização de temperos naturais na alimentação e alternativas para incorporar essas espécies ao preparo de alimentos. Outro destaque é o canteiro dedicado às Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs), que evidencia a valorização de espécies nativas e o conhecimento sobre seu potencial na alimentação. A programação contempla ainda orientações sobre cultivo, manejo, colheita e secagem de plantas bioativas, com demonstração de equipamentos e alternativas de secagem caseira. Entre as espécies apresentadas estão sálvia da gripe, lavandas, capim-limão, alecrim e malva-cheirosa. O espaço também aborda o uso de hidrolatos e óleos essenciais como alternativas de baixo custo para utilização na produção de alimentos, incluindo possibilidades de manejo de pragas e doenças. Outro eixo trata da relação entre plantas bioativas e conservação do solo. Espécies como o vetiver são apresentadas a partir de suas características e do potencial de contribuição para a recuperação de solos degradados. O destaque é o desenvolvimento das raízes, a cobertura do solo e a melhoria de suas características físicas, químicas e biológicas. A utilização da homeopatia no manejo de formigas e outras pragas também integra a proposta. Duas atividades serão realizadas no espaço multiuso: uma dedicada ao cultivo e aos usos da macela e outra voltada à aplicação da homeopatia no controle de formigas em plantas. Para Maristela, a ideia é mostrar que essas plantas estão presentes na alimentação, no cuidado, no cultivo e na cultura. “É uma forma de resgatar conhecimentos e, ao mesmo tempo, apresentar novas possibilidades de uso”, ressalta. |
- Autor: Ascom Emater/RS-Ascar
- Imagens: Divulgação Emater/RS-Ascar