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Prioridades na retomada

Data da Noticia 19/10/2020
Lentidão no retorno do ensino presencial é o abandono da educação como instrumento de progresso individual e coletivo.

Nossas prioridades invariavelmente dialogam ao pé do ouvido com a escala de importância que atribuímos às coisas. De igual modo, a ordem das atividades retomadas no processo de flexibilização acena com um "tanto faz" para serviços essenciais de primeira ordem; e nada, absolutamente nada, é tão essencial quanto a educação. O ensino presencial foi a primeira atividade suspensa e, ao que tudo indica, será a última retomada integralmente. Vejo essa lentidão como o abandono, momentâneo que seja, da educação como instrumento de progresso individual e coletivo.

Sim, vivemos um surto epidemiológico de proporção mundial. Sim, foi compreensível o temor inicial de uma catástrofe sanitária. Sim, foi acertada a suspensão das atividades escolares no primeiro momento. Felizmente, a catástrofe sanitária não ocorreu, e o percurso da pandemia no Brasil deixa claro que o isolamento e o controle da contaminação são dados que não batem; antes, divergem. Então por que o ensino presencial enfrenta toda essa relutância, enquanto praias seguem lotadas e o comércio já opera a todo gás? Não seria o ensino prioridade ante essas atividades?

Hoje se sabe, com segurança, que crianças e jovens saudáveis são invulneráveis ao vírus. Quanto ao fator contaminação, não haveria diferença em frequentar a escola. Ou alguma criança brasileira não sai de casa desde março? Não, enquanto não há aula, elas viajam, visitam parentes (idosos inclusive) e brincam com outras crianças. Aos profissionais da educação, exceto aos grupos de risco, a exposição será inevitável. Cabe lembrar que tantas outras classes não tiveram a opção de trabalhar em casa. Caminhoneiros, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, entregadores e funcionários dos ramos alimentício e energético se expuseram ao risco no momento mais crítico da pandemia. E se expuseram porque há serviços que não podem parar (o ensino deveria ser um deles). 

Falando nisso, é preciso reconhecer o empenho dos professores em manter vínculos e ensinar, mesmo à distância. Foi preciso adaptar e reinventar, e foi feito, pois professores compreendem como ninguém a importância da educação. Agora, entre o educador ensinar e o aluno aprender, há uma grande distância, e essa é minha preocupação. O ensino à distância tem se mostrado eficiente, mas no ramo universitário e com estrutura online adequada. Para crianças, e sem essa estrutura, deixa muito a desejar. Crianças não se policiam como adultos e precisam de acompanhamento próximo e constante. Muitos, nem acesso à internet possuem.

Se a retomada do ensino presencial ficar para 2021, espero sinceramente que seja no início de janeiro, e não no final de fevereiro, como é usual. Como não deve ocorrer reprovação, é essencial que o próximo ano letivo seja mais longo e "pesado", a fim de recuperar parte do aprendizado perdido. Defendo, assim, a ideia de que o próximo ano letivo tenha início imediato e siga até o início de 2022, sem interrupções. Quem acredita que a perda de um ano letivo não tem importância, não entende nada de educação. Tempos ímpares exigem medidas ímpares.

Gerson Dickel, nascido em 21/01/1997, em Viadutos, é graduado em Letras - Português e Espanhol, pela FAEL. Trabalha desde 2014 na Comunidade FM, onde atua como locutor, produtor, repórter e redator.



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  • Autor: Gerson Dickel
  • Imagens: Ilustrativa

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