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Série de choques de pássaros contra vidros, em Blumenau, impressiona especialistas

Data da Noticia 16/07/2020
Numa região cercada de morros verdes, como é o Vale do Itajaí, choques de pássaros contra janelas e vidraças são problema recorrente.

Numa região cercada de morros verdes, como é o Vale do Itajaí, choques de pássaros contra janelas e vidraças são problema recorrente. Mas no bairro Itoupava Seca, em Blumenau, a questão ganhou contornos dramáticos no dia 7 de julho.

Num intervalo de 12 horas, 22 sabiás-pretos bateram em vidraças do Hospital Veterinário Santa Catarina, na Rua Iguaçu. Doze não resistiram. Também houve ao menos 10 acidentes iguais na vizinha Fundação Fritz Müller. O volume espantou o veterinário Cláudio Domingues.

— Teve um momento bizarro, uma sequência de seis pássaros se chocando contra a vidraça em questão de minutos — lembra.

A equipe do hospital nunca tinha visto pancadas nessa frequência, até então eram episódios esporádicos. As janelas do prédio possuem grades e, nos vidros, há adesivos no formato de pássaros.

O professor da Furb Júlio Cesar de Souza Júnior foi chamado ao local para recolher os animais mortos. Souza tinha interesse em analisá-los nas aulas de Medicina de Animais Selvagens, no curso de Medicina Veterinária. Mas também coletou amostras dos sabiás para serem analisadas pela Vigilância Epidemiológica.​ — A morte de aves assim em grande quantidade é passível de notificação aos órgãos de saúde pública, por conta da vigilância de H1N1 e de outra virose, chamada febre do Nilo Ocidental — explica Souza. Uma doença talvez pudesse explicar os acidentes em série. Também discutiu-se a possibilidade de haver alguma relação com o ciclone em Santa Catarina, que aconteceu dias antes. Hipótese mais provável é a de que os sabiás-pretos estivessem em fluxo migratório e deram azar de passar por perto das vidraças. Como geralmente a espécie voa em casais, macho e fêmea, quase todos os choques ocorreram em duplas. Pássaros e janelas

Prédios com vidros espelhados são cada vez mais comuns, mas não há em Blumenau uma regulamentação sobre como evitar acidentes com pássaros. Em Joinville, um projeto de lei tramita na Câmara de Vereadores, que inclusive proíbe muros de vidro reflexivo. Existem tentativas, como os adesivos na forma de pássaros predadores, na esperança de que afujentassem aves menores. Porém, já está claro que têm resultados limitados.

— Até onde sei, não tem nenhuma legislação relativa a medidas mitigatórias. Existem trabalhos indicando adesivos sinalizadores, mas não aqueles de aves — avalia o professor Júlio Cesar.

O ecólogo e ambientalista Lauro Bacca, que vive em uma região de mata, no Progresso, testou diversas estratégias para evitar acidentes do tipo. Para ele, as melhores soluções foram traços verticais pintados no vidro com canetinha ou correntes decoradas de plástico. A distância deve ser de seis centímetros, ou quatro dedos da mão.

Pesquisa aponta solução

Biólogos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Sorocaba (SP), compararam os resultados de duas medidas preventivas durante um ano: adesivos em forma de aves de rapina e adesivos com pequenos círculos espalhados pelo vidro. 

No período pesquisado ocorreram 52 acidentes, 37 deles em janelas onde não havia qualquer sinalização, usadas para controle do experimento. Nas vidraças com imagens de aves de rapina, 15 pássaros colidiram e morreram. Nenhuma ave bateu contra os vidros cobertos por adesivos circulares.

E Blumenau?

Que tal tornar a melhor solução um padrão para construções em Blumenau? Arquitetos, construtores, biólogos, ambientalistas, legisladores e Secretaria do Meio Ambiente têm muito a conversar.



Todas imagens
  • Autor: Au Online
  • Imagens: Júlio Cesar de Souza Júnior, Acervo Pess

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