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Stédile fala sobre direito à alimentação saudável em aula pública na capital

Data da Noticia 17/11/2015

Em quase uma hora de explanação, o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile falou em uma aula pública em frente ao Monumento ao Expedicionário no Parque da Redenção, em Porto Alegre, a respeito do direito dos consumidores a uma alimentação saudável e os efeitos nocivos dos agrotóxicos para a saúde e ao meio ambiente. O evento ocorreu no último sábado (14), e foi o primeiro organizado pela Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável – coordenada pelo deputado estadual Edegar Pretto (PT) – com diversos movimentos sociais e entidades que apoiam a iniciativa.

 

A aula pública é um contraponto aos inúmeros projetos de lei acolhidos no Congresso, “como a retirada do alerta de alimento transgênico no rótulo dos produtos e outros que tentam acabar com leis consolidadas em defesa da vida, do meio ambiente e da alimentação saudável”, explicou Edegar Pretto. Segundo ele, esta é uma luta que enfrenta muitas resistências, e uma delas vai ser a aprovação do projeto de lei que proíbe a pulverização aérea no Rio Grande do Sul. O parlamentar disse que não é justo prejudicar o meio ambiente e a saúde das pessoas em benefício de meia dúzia de fazendeiros. “A luta que estamos enfrentando não é pequena, e estamos encontrando muros altos e resistência muito forte, contrária a esse modelo agrícola que queremos implementar para oferecer à população uma alimentação saudável”, avaliou.

 

Representando todas as entidades e movimentos sociais presentes na aula pública, o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Leonardo Melgarejo, falou que iniciativas como a aula pública devem ser multiplicadas por todo o Brasil para que a população seja mais consciente das transformações necessárias. “A ideia de fazer uma aula num espaço simbólico da feira atende inclusive um apelo do papa, que diz que o principal direito é a informação”, ressaltou.

Ao iniciar a aula pública, Stédile pediu um minuto de silêncio a todas as vítimas do capitalismo. Como exemplo, disse que “os venenos que mataram a líder comunista Olga Benário foram feitos pela multinacional Bayer, assim como os que foram utilizados na Síria tiveram produção nas empresas químicas da Alemanha”. Para ele, os milhares de mortos na Síria e os mais de 120 mortos nos atentados na França (sexta-feira, 13) não têm o terrorismo como o principal culpado. “O culpado é esta máquina de guerra que, em troca do lucro, sai despejando a morte pelo mundo. Esta mesma lógica do lucro a qualquer preço é que enterrou mais de 20 pessoas na lama em Minas Gerais, tudo para que uma empresa de mineração continuasse explorando nossos minérios”, declarou.

 

Sobre o tema da aula pública, o líder do MST fez um resgate da história do capitalismo no mundo, dizendo que estamos, hoje, em uma nova etapa, na qual este sistema acumula e se realimenta pelo capital financeiro e através das grandes corporações internacionais que dominam todo o planeta, entre elas, as que atuam na agricultura. Para Stédile, a função da agricultura e dos alimentos é reproduzir a vida humana, mas o capitalismo se apropriou deste conceito e transformou os alimentos em riquezas para alguns. “No Brasil, por exemplo, as multinacionais definiram que a produção vai ser de celulose, soja, etanol e carne de gado. Tudo o mais não interessa pro capital”. Além disso, afirmou, “o alimento foi padronizado, porque as empresas não vendem mais alimentos, vendem mercadoria. E os preços, também, estão determinados por este mercado, administrado por cerca 50 conglomerados empresariais no mundo”.

 

Stédile criticou os alimentos transgênicos e o uso dos agrotóxicos. Perguntou como é que a humanidade produziu alimentos sem uso de agrotóxicos até a segunda Guerra Mundial e agora dizem que não é mais possível? Citou a produção de 600 mil sacos de arroz orgânico nos assentamentos do MST como exemplo de que é possível produzir alimento sem veneno. Para ele, “são os interesses internacionais que estão em jogo e não uma questão agronômica”.

Mesmo com os governos progressistas de Lula e Dilma, nos últimos anos, houve queda de empregos no campo em um total de 2,4 milhões assalariados rurais. Segundo Stédile, “eles foram substituídos pelo veneno”.

Stédile usou da lógica para explicar que, para cada ação do capital haverá uma contradição. “Por mais que os capitalistas estejam dominando a produção de mercadorias e impondo uma lógica tão perversa, ela sinaliza contradições, que leva a uma crise e à mobilização das pessoas”. Uma das contradições, de acordo com ele, é o uso de agrotóxico e o mal que produz, como o câncer.

 

Na visão do líder do MST, há saídas para enfrentar a produção do mundo do agronegócio, como as feiras agroecológicas montadas em vários municípios do Rio Grande do Sul. “Na sociedade brasileira há vontade e energia, e a prova está na Agroecologia. Vamos derrotar estas idéias atrasadas e reacionárias e construiremos uma agricultura sem agrotóxicos e sem o agronegócio, para construir uma sociedade socialista que é o sonho de todos”, disse Stédile ao finalizar a aula pública.

 

Na plateia, estavam presentes, também, deputados federais, vereadores, consumidores e apoiadores da alimentação saudável. Após a exposição de Stélide, foi realizado o projeto Roda de Zamba especial, com show musical das bandas ZambaBen, Lili Fernandes, Trem Imperial, Nego de Cabeça, Chama Violeta e Triathlon.

Leandro Molina

Assessor de Comunicação

 



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  • Autor: Leandro Molina - Assessor de Comunicação
  • Imagens: Leandro Molina

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